COTAÇÕES



sábado, 9 de agosto de 2008

Introdução Às Opções

Conceitos Básicos das Opções
Esta série está sendo escrita baseada nos livros Options: Essential Concepts and Trading Strategies; Stocks for Options Trading: Low -Risk, Low-Stress Strategies for Selling Stock Options- Profitably; e também no livro The Options Course: High Profit & Low Stress Trading Methods.
Opções são instrumentos derivativos.
Isto significa que o valor de uma opção e suas características de negociação estão ligadas ao ativo subjacente às opções. (Isto é, uma opção da Telemar PN está ligada ao ativo - TNLP4). O investidor que conhecer os fundamentos das opções, terá um meio efetivo de lidar com o risco pois passará a ter a sua disposição uma grande variedade de escolhas diferentes de investimentos.
O ativo ao qual a opção está sendo negociada pode ser um ação, um índice, um contrato futuro, uma letra do tesouro, uma commoditie, etc. Nos ateremos aqui as opções ligadas a ações, mas os conceitos básicos podem ser extendidos a qualquer forma de opção.
Definições:

Opção:
Uma opção de um ativo adjacente será ou o direito de comprar o ativo (opção de compra) ou o direito de vender o ativo (opção de venda) a um determinado preço e dentro de um determinado período de tempo no futuro.


O fator principal aqui é que o proprietário (comprador) da opção tem um direito, e não uma obrigação. Se o proprietário de uma opção não exerce este direito antes do fim do período de tempo pré-determinado, a opção e a oportunidade (direito) de exercê -la deixam de existir.


O vendedor de uma opção, entretanto, é obrigado a preencher os requerimentos da opção se a opção for exercida. No caso de uma opção de compra de uma ação(Call), o vendedor vendeu o direito de comprar aquela ação. O vendedor da opção de compra é portanto obrigado a vender a ação ao proprietário da opção de compra (comprador) se a opção for exercida, e pelo preço pré-determinado.


No caso de uma opção de venda de uma ação(Put), o vendedor vendeu o direito de vender aquela ação. O vendedor da opção de venda da ação é portanto obrigado a comprar a ação do proprietário da opção de venda (comprador) se a opção for exercida, e pelo preço pré -determinado.


Preço de Exercício e Data de Exercício
O preço pré-determinado de uma opção é conhecido como o preço de exercício. Quando uma opção de compra é exercida, o proprietário (comprador) paga pela ação o preço de exercício. Quando uma opção de venda é exercida, o proprietário (comprador) recebe pelas ações o preço de exercício.
A data após a qual a opção para de existir e a data de exercício.
Exemplo: A opçao de compra de TNLP4 AGO 40 representa o direito de comprar TNLP4 a 40 reais até o data de exercício que ocorrerá em agosto. (obs: usualmente utiliza-se no IBOV uma outra forma de representar opção. A TNLP4 AGO 40 é representada como TNLPH40, onde H representa agosto)
Regras de Expiração (ou término da validade da opção)
Os investidores devem estar cientes das regras em relação a expiração das opções e se u possível exercício ou não. Em primeiro lugar, além das regras gerais do IBOV, as diferentes corretoras tem suas próprias regras. Informe-se com suas corretora das regras internas da mesma em relação as opções.
Os investidores também devem estar cientes das regras de exercício automático. Em alguns locais, uma opção de compra que, no dia do exercício, esteja abaixo do preço da ação subjacente, poderá ser exercida automaticamente. Cabe ao investidor avisar que não deseja exercer, ainda que isso seja benéfico para ele. Mas a maioria das corretoras no Brasil, não realizam exercício automático. Faça o raciocínio inverso para a opção de venda.
Muitas corretoras determinam um horário final, próximo ao exercício, em que o propietário de opções possa dizer o que deseja que seja feito.
Aos que forem negociar opções de outros ativos que não ações, é importante se informar com sua corretora e no Bovespa, sobre as específicas regras daquele tipo de opção, pois estas regras podem mudar de um tipo de ativo para outro.
Tipo de Opções

Opções Americanas (as utilizadas atualmente no Brasil)
Um opção do tipo americana possui um direito (mas não uma obrigação), que pode ser exercido a um determinado preço a qualquer momento até a data de exercício.

Opções Européias
Um opção do tipo européia possui um direito que poderá ser exercido somente na data de exercício.

Preço e Preço de Exercício
A relação do preço da ação com o preço da opção determina se a opção é dita como In-The-Money (dentro do preço); At-The-Money (no preço), ou Out-of-The-Money (fora do preço).
Opção de Compra In-The-Money (ITM): Preço da ação subjacente é superior ao preço de exercício da opção;
Opção de Compra At-The-Money (ATM): Preço da ação subjacente é igual ao preço de exercício da opção;
Opção de Compra Out -of-The-Money (OTM): Preço da ação subjacente é inferior ao preço de exercício da opção.
Opção de Venda In-The-Money (ITM): Preço da ação subjacente é inferior ao preço de exercício da opção;
Opção de Venda At-The-Money (ATM): Preço da ação subjace nte é igual ao preço de exercício da opção;
Opção de Venda Out-of-The-Money (OTM): Preço da ação subjacente é superior ao preço de exercício da opção.
Valor Intríssico e Valor do Tempo (Theta)
O preço de uma opção (prêmio) pode consistir de valor intríssico, valor do tempo (theta), ou uma combinação de ambos.
Valor Intríssico: Porção in-the-money (dentro do preço) do valor (prêmio) de uma opção. Ex: A opção de compra de TNLPH40 (opçao de compra de Telemar PN para agosto, com preço de exercício de 40 reais) possui 2 reais de valor intrissico se a TNLP4 estiver cotada a R$42,00.
Valor do Tempo (Theta): Porção do preço de uma opção (prêmio) que está além do valor intríssico. Ex: Se a mesma opção do exemplo acima, estando a TNLP4 cotada a 42,00, estiver valendo R$3,00 significa que além dos dois reais de valor intríssico, soma-se um real de valor do tempo ou Theta.
Obs: Os conceitos e exemplo acima são para opções de compra. Faça o raciocínio inverso para opção de venda. Isto é, a opção de venda estará in-the-money quando a cotação do ativo subjacente estiver abaixo do preço de exercício da opção de venda.
Paridade
Uma opção está sendo negociada em paridade com a ação quando ela está in-the-money e não possui nenhum valor do tempo (Theta).
Esta situação ocorre quando o preço da ação subjacente menos o preço de exercício é igual ao valor da opção (prêmio). Ex: Se a opção de compra de TNLPH40 (opçao de compra de Telemar PN para agosto, com preço de exercício de 40 reais) estiver sendo negociada a 2 reais quan do a TNLP4(Telemar PN) estiver sendo negociada a R$42,00, se diz que a TNLPH40 está sendo negociada em paridade com a Telemar. A opção possui apenas valor intríssico e nenhum valor do tempo (Theta).
Isto ocorre muitas vezes com as opção que estão profundamente in-the-money nos dias próximos ao exercício.
Elementos que Determinam o Preço de uma Opção
Os cinco componentes do valor teórico de uma opção são: Preço do ativo subjacente; Preço de exercício da opção; Tempo que resta até a data de exercício (Theta); Fatores externos (taxas de juros, dividendos, etc) Volatilidade do ativo subjacente; Vamos nos ater as opções de ações, mas os conceitos colocados aqui servem para qualquer tipo de opção.
Preço da Opção Relacionado ao Preço do Ativo Subjacente
Este conceito é mais ou menos óbvio. Como a opção é um derivativo da ação a qual ela se corresponde, a variação do preço da ação produz variações imediatas no preço da opção que serão tão ou mais expressivas de acordo com os outros fatores descritos neste capítulo. Vejamos a tabela a seguir que mostra os diversos preços teóricos de uma opção de compra de preço de exercício de 50 reais de acordo com diversos preços da ação subjacente durante períodos diferentes do exercício da opção (vida da opção):

Tabela 1 - Preço da Opção de Compra (Strike) de R$50,00












Obs: tabela modificada a partir de original no livro: Options Essential Concepts & Trading Startegies - pag 26

Percebam que tanto maior o preço do ativo subjacente (ação), tanto maior será o preço da opção, a não ser quando chegamos muito próximos ao exercício ou no exercício. Mas isto será exemplificado mais tarde. O importante aqui é perceber como o preço da ação irá interfirir de forma definitiva no preço da opção.

Preço de Exercício da Opção
Outro conceito óbvio. Quanto maior o preço de exercício de uma opção, menos valerá a mesma, independente do preço da ação. A diferença entre o preço das diversas séries irá se modificar, de acordo com outros fatores como o preço da ação e o tempo restante para o exercício. Mas nunca modificará o fato que uma opção de preço de exercício maior tende a valer menos que a de preço de exercício menor.

As opções que estão muito out of the money (fora do dinheiro), isto é, que tem preço de exercício muito altos em relação ao preço atual da ação, tendem a zero, ou 0,01 especialmente próximo a data de exercício das opções. Desta forma pode acontecer de duas opções de valores de exercício diferentes passarem a ter o mesmo valor.

Preço da Opção em Relação ao Tempo (Theta)
Talvez seja esta o conceito mais importante de todos. É preciso dominar bem este conceito antes de começar a operar com opções. Em última instância o Theta é a essência das opções.

Voltemos a Tabela 1 acima. Peguem qualquer linha da coluna, escolham um preço da ação. Verão que com o passar do tempo, ainda que o preço da ação se mantenha fixo, a opção perderá valor.


Vejam por exemplo, ainda na Tabela 1, que se a ação está custando 49 reais a 70 dias do exercício das opções a opção de compra desta ação de R$50,00 estará custando R$2,25 (valor teórico). Se a 35 dias do exercício a ação custar os mesmos 49 reais, a opção terá decaído para R$1,43 com perda significativa de valor, sem modificacão no preço da ação. Chegamos a 7 dias do exercício e a nossa ação continua custando 49 reais. Agora, a opção de compra de R$50,00 estará custando somente 0,44. E, se no dia do exercício o ativo fechar nos mesmos 49 reais a opção irá micar, virar pó (expirar sem valor).
A passagem do tempo fez a opção cair de R$2,25 para zero sem modificação no preço da ação. Especialmente aos que compram opções a seco, é muito importante entender isto. Voc6e estará comprando algo super faturado, que só terá valor se a ação a qual a opção corresponde subir expressivamente de valor. Entende-se aqui porque a maioria das pessoas que costumam comprar opções a seco para especular perdem todo o dinheiro na maioria das vezes.

É óbvio que se o preço da ação subir significativamente, pode-se ganhar bastante dinheiro comprando opções. Mas ainda assim, o tempo irá exercer sua função:

Ainda na Tabela 1, supondo que você compra a opção de R$50,00 a 70 dias do exercício quando a ação naquela época estava cotada a 47 reais, por R$1,40. Depois disso, a ação tem um crescimento substancial e no dia do exercício fecha a 53,00. Você poderá vender sua opção por R$3,00 obtendo lucro.

Ainda assim observe que se a ação fechar no dia do exercício a 51,00 o que é um aumento expressivo em relação aos 47,00 do dia que você comprou a opção, você só poderá vender sua opção por R$1,00 e terá prejuízo. É óbvio que poderão ocorrer outras oportunidades de lucro durante o exercício.

Na compra de opções a seco, deve-se ter em conta que, quando ocorre queda de valor do ativo (ação), somado a passagem do tempo a perda de valor das opções e bastante expressiva pois estes dois fatores se multiplicam.
Voltemos a Tabela 1. Imagine que a 70 dias do vencimento você compra a opção de compra de 50 reais do ativo teórico da tabela. Naquele dia a ação estava cotada a 51 reais logo a opção lhe custou R$3,40. Passam-se 21 dias e a 49 dias do vencimento a ação caiu para 45 reais. A sua opção estará valendo apenas 0,50.
Em 21 dias a ação perdeu em torno de 12% do seu valor e a opção, em contra-partida perdeu quase 85% do seu valor. Estudem a Tabela 1 e criem diversos exemplos como os acima, e perceberão o efeito que o tempo tem sobre as opções.
Fatores Externos (Taxas de Juros, Dividendos)
As taxas de juros tem pouco efeito sobre o preço das opções, mas o valor das opções de compra tendem a subir com o aumento das taxas de juros.
Os dividendos, também aumentam o valor das opções, já que o valor dos dividendos é subtraído do preço de exercício das opções. Isto é, se você possui uma opção de preço de exercício de 50 reais e a ação subjacente distribui 0,50 de dividendos por ação, a sua opção passará a ter preço de exercício de R$49,50 o que tenderá a elevar o valor da opção.
Volatilidade e o Preço das Opções
A volatilidade nada mais é do que a expectativa de movimentos (variação de preços) de um determinado ativo. Quanto maior for esta expectativa, maior será a volatilidade.
A volatilidade é um conceito primordial das opções e teremos um capítulo desta série somente para discutir a volatilidade. Por enquanto estaremos somente resumindo de que forma ela interfere com o preço das opções.
A relação da volatilidade da ação subjacente com o preço das opções é direta - conforme o percentual de volatilidade aumenta, o preço das opções aumenta.
A volatilidade se refere aos movimentos de preço da ação subjacente. Maior volatilidade significa que se espera maiores movimentos, e um maior movimento justifica preços maiores das opções.
Deve-se lembrar que os preços das opções são baseados na volatilidade esperada do ativo subjacente.
Matematicamente a volatilidade é não-direcional (isto é, a volatilidade apenas mede o quanto a ação tenderá a se movimentar mas não para que lado ocorrerá este movimento). Se o mercado espera maiores flutuações de preço da ação, esta flutuação poderá ser para cima ou para baixo.
Consequentemente, quando uma maior volatilidade é esperada, os preços das opções, tanto de compra quanto de venda, aumentam.
Com um aumento na volatilidade, opções at -the-money (dentro do dinheiro) aumentarão de preço mais do que as opções ou-of-the-money (fora do dinheiro) por causa de como os preços são distribuídos de acordo a probabilidade. matematicamente uma ação que está cotada a R$50,00 terá sempre uma maior probabilidade de se mover R$1,00 do que R$6,00 não importa em que direção. Isso explica porque opções in-the-money (dentro do dinheiro) tem preços maiores do que opções out-of-the-money (fora do dinheiro).

A volatilidade é o único fator desconhecido dos cinco que alteram o preço das opçõe s. Todos os outros são determinados e observados sem maiores problemas. Logo, pode-se concluir que o preço teórico de uma opção é em última instância um valor subjetivo porque a seleção de uma estimativa de volatilidade é subjetiva. No final, a volatilidade futura (e desconhecida) da ação é que determina o valor verdadeiro de uma opção e a volatilidade futura, obviamente, não pode ser conhecida. Estaremos desenvolvendo este e outros conceitos de volatilidade em capítulos posteriores de nossa série.
Como os Diversos Elementos afetam o Preço das Opções
Como foi visto em "Elementos que Determinam o Preço de uma Opção", os cinco componentes do valor teórico de uma opção são:
1 Preço do ativo subjacente
2 Preço de exercício da opção
3 Tempo que resta até a data de exercício (Theta)
4 Fatores externos (taxas de juros, dividendos, etc)
5 Volatilidade do ativo subjacente

Agora que os cinco elementos do valor teórico de uma opção, foram introduzidos, o segundo passo (ou o segundo nível de entendimento) é entender como uma mudaná em cada elemento afeta o valor teórico de uma opção.
As questões que tentamos responder
Sabendo que as mudanças nos preços das opções não são constantes com as mudanças no preço das ações, como as mudanças nos preços das opções podem ser medidas? Como o preço das opções se deteriora com o passar do tempo? Como mudanças na volatilidade afetam os preços das opções?

DELTA - O Efeito da Mudança de Preço da Ação
No capítulo anterior dissemos que "conforme o preço da ação sobe, o valor teórico da opção (de compra) sobe de uma forma não linear a uma taxa crescente." Primeiro, o aumento de preço da opção é somente uma fração do aumento de preço da ação. Esta fração aumenta, conforme o preço da ação sobe. Quando a ação está significativamente acima do preço de exercício, o movimento da opção se aproxima de 100% do movimento da ação. É esta "fração do movimento de preço da ação"que é conhecida como Delta.
Como um exemplo assuma que a ação subjacente sobe R$1,00 e a opção sobe somente R$0,25. Neste caso, o Delta da opção é .25 (ou 25%), pois a opção se movimentou 25% do movimento de preço da ação.
O Delta, entretanto, não é estático. O Delta de uma opção muda conforme a opção muda de out -of-the-money (fora do dinheiro) para in-the-money (dentro do dinheiro). O preço de uma opção out -of-the-money se modifica por um pequeno percentual do movimento de preço da ação. O preço de uma opção at -the-money se modifica por aproximadamente 50% do movimento de preço da ação (Delta de .5 ou 50%). Conforme uma opção vai se tornando mais in-the-money, seu Delta aumenta e gradualmente se aproxima de 100% ou 1.00.
Isso significa que o preço de uma opção profundamente in-the-money se movimenta real a real com o movimento de preço da ação. O conceito de Delta é demonstrado na Tabela IV - 1 a seguir.
Tabela IV - 1 : Delta das Opções de Compra
Opção de Compra de preço de exercício de R$50,00; Volatilidade da ação está em 35% e faltam 90 Dias para o Exercício





















Vocês verão que existem pequenas diferenças se formos utilizar o Delta corretamente. isso acontece porque o Delta é uma medida teórica designada para pequenos movimentos e não para variações intensas (no caso da table IV - 1 - variações de um real.)

O Delta é importante porque ele dá uma estimativa geral do valor esperado da mudança de preço de uma opção. "Geral" é a palavra correta. Muitas vezes, traders de opções, pensam somente no que vai acontecer no dia do vencimento. Tal fôcus, entratento, é limitante.

Como um exemplo, assuma que você espera que PETR4 que está cotada a R$50,00 no momento, suba fortemente quando o seu balanço anual for divulgado na próxima semana.
Ao invés de comprar a ação, você compra a opção de exercício a R$50,00 para limitar seu risco no caso dos balanços serem desfavoráveis. Para este exemplo, assuma que a opção de R$50,00 está cotada a R$2,00, seu Delta e .50, e que ação se movimenta para cima R$1,00 indo a R$51,00.
Se a ação moveu R$1,00 espera-se que a opção que tem Delta de .50 movimente-se metade de R$1,00 que são R$0,50 chegando a R$2,50.
A análise, no vencimento, entretanto, traz resultados completamente diferentes. Com a ação a R$51,00 na data do vencimento, a opção de R$50,00 estará custando R$1,00. Já que a opção foi comprada a R$2,00, resultará em uma perda de R$1,00.
Este é um resultado totalmente diferente do lucro de R$0,50 realizado no movimento da ação e da opção na época da divulgação dos balanços.
Seu timing de trading determinará qual análise está correta. Era sua intenção vender a opção imediatamente depois da divulgação do balanço para um lucro rápido? Ou era sua intenção guardar a opção até a data de vencimento com o desejo de exercer a opção e comprar a ação se a opção estivesse in-the -money?
Na primeira situação, o especulador estava contando em um movimento de alta de curto prazo. A compra da opção limitou o risco de queda, e um lucro de R$0,50 por opção foi realizado quando a opção foi vendida no movimento depois da divulgação do balanço.
Na segunda situação, o comprador da opção desejava comprar a ação, mas estava utilizando a opção como uma alternativa limitadora de riscos. Se este comprador estivesse errado sobre a ação, e a ação tivesse uma queda abrupta durante este período, a perda estaria limitada aos R$2,00 pagos pela opção.
GAMMA - A Taxa de Mudança no Delta
Como pode ser visto pela Tabela IV-1 , o Delta não se modifica apenas de acordo com mudanças de preço do ativo subjacente, mas também em taxas diferentes se a opção estiver in-the-money, at -the -money ou out -of­the-money. Por exemplo, quando a ação se movimentou de R$50 para R$51,00 , o Delta da opção mudou de .54 para .60 - uma mudança de .06 (6%). Entretanto, quando a ação subiu de 55 para 56, o Delta se elevou de .75 para .78 - uma mudança de .03 (3%).
Estas taxas de mudança no Delta são chamadas de Gamma. Adicionando uma terceira coluna a Tabela IV - 1, podemos visualizar o Gamma e ver como ele se altera.
Tabela IV - 2 : Gamma, a Taxa de Mudança do Delta
Opção de Compra de preço de exercício de R$50,00 com Volatilidade da ação em 35% e faltando 91 Dias para o Exercício.


















Para demonstrar o conceito de Gamma claramente, é necessário utilizar ao menos três casas decimais. Tal refinamento é importante para o investidor profissional que opera com uma grande quantidade de opções.
O típico investidor individual não deve levar tão em conta este conceito. Para o típico investidor individual, seleção das ações e análise do mercado em geral são, de longe, os mais importantes aspectos.

Como Deltas se modificam com o tempo
Conforme o tempo passa em direção a data de expiração, o Delta de uma opção, se modifica de forma diferente dependendo se a opção está at-the-money, in-the-money, ou out -of-the-money.

Opções in-the-money serão exercidas no vencimento. Isto significa que, conforme o vencimento vai se aproximando, o Delta de uma opção in-the -money gradualmente aumenta para 1.00.
No outro extremo, o Delta de uma opção out -of-the-money gradualmente se aproxima de 0(zero) porque opções out-of-the-money expiram sem valor.
O Delta das opções at-the-money são objeto de uma interessante discussão teórica. A discussão é teórica porque raramente uma opção está exatamente at-the-money.
Assuma, entretanto que uma ação está cotada exatamente ao preço de exercício de uma opção. Conforme o tempo passa em direção ao vencimento, o Delta para a opção permanece bem próximo a 0.50. Isto pode parecer difícil de compreender, mas é importante separar completamente o efeito do tempo no preço da opção e o efeito do tempo no Delta.
O preço de uma opção gradualmente diminui com o passar do tempo, mas independente do preço total da opção, uma mudança de 1 ponto no ativo subjacente, irá causar uma mudança de aproximadamente 0.5 ponto na opção at -the-money. Isto permanece verdadeiro em qualquer momento até o vencimento da opção. No instante do vencimento, com o preço da ação exatamente no preço de exercício da opção, o Delta instantaneamente cai para zero, pois a opção vai expirar sem valor (micar). Mas em teoria, mesmo um segundo antes do vencimento, a opção tem um Delta de 0.5.
Theta - Deterioração pelo Tempo
O Theta é a taxa em que o preço de uma opção decai por unidade de tempo. Ainda que ele seja derivado de um conceito matemático sofisticado, é util para todos os tipos de especuladores que trabalham com opções. Para especuladores, o Theta é útil em planejar a duração dos trades. Se um especulador planeja sair de uma operação antes do vencimento, o conhecimento da deterioração pelo tempo é fundamental em decidir exatamente quando fazer isso. O trader iria balancear o Theta contra o efeito Delta na opção derivado de movimentos da ação subjacente.
Vega - Mudanças na Volatilidade
O Vega de um opção é a mudança no valor da opção que resulta de mudanças na volatilidade. Vegas são expressados na unidade monetária. Por exemplo se uma mudança de 1% na volatilidade causa uma mudança de R$0,25 no valor da opção, significa que a opção tem um Vega de 0.25. O vega é matematicamente similar ao Delta e o theta, pois é um derivativo primário. O Vega não se modifica muito a não ser que a ação subjac ente se movimente consideravelmente em relação ao preço de exercício da opção.
Influência de Fatores Externos
Nos exemplos e definições acima, para fins de compreensão, foi assumido que não haveriam dividendos, custo do dinheiro ou exercício precoce. No mundo verdadeiro, estes fatores afetam os preços das opções.

Dividendos
Quando dividendos são distribuidos pelas empresas, eles afetam diretamente o preço de exercíco das opções e por consequ6encia o preço total das opções.
Por exemplo se PETR4 distribui 1 real de dividendos por opção, a opção de preço de exercício de R$50,00 passará a ter preço de exercício de R49,00. Obviamente isto tenderá a elevar o preço da opção.
Usualmente ocorre uma perda de valor da ação, após a distribuição dos dividendos, oq ue irá terminar por equilibrar o processo.
Custo do Dinheiro
O custo do dinheiro é uma consideração importante para todos os investidores porque a perfomance dos investimentos é medida em relação ao investimento padrão de pequeno risco (Renda Fixa por exemplo).
Em resumo, quanto maior o custo do dinheiro, maior terá que ser o seu rendimento nas operações com opções para atingir o ponto de lucro. Por exemplo, para um país com custo de 2% ao mês, você terá que deduzir estes 2% ao mês do rendimento final (lucro) da sua operação para verificar se realmente houve lucro.
Se você apurou uma lucratividade de 6% em uma operação de 90 dias, não estará no lucro neste fictício exemplo. Já que os juros devem ser calculados sobre juros, em três meses teríamos: 6,12% para ser deduzido da lucratividade de 6%, logo a operação deu prejuízo de 0,12% e não lucro de 6%.
Isto porque se o dinheiro tivesse sido colocado na Renda Fixa teria rendido 6,12% sem riscos grandes, como o de operações em opções. Não compensa você tomar um risco maior para ter um rendimento menor.
Introdução a Volatilidade
Introdução
A volatilidade é a mais usada e a menos compreendida palavra nos negócios com opções. Para a maioria das pessoas o termo volatilidade tem uma definição intuitiva que relaciona com os movimentos dos preços, e a intuição está correta.
Tomando como exemplo o período de um ano, pode-se dizer que uma ação que teve máxima de 120 e mínima de 80 neste período foi mais volátil que outra ação que foi negociada entre 105 e 95 no mesmo período.
Em um período mais curto, pode ser dito que uma ação com uma variação diária de R$5,00 é mais volátil que outra que possui uma variação diária de R$2,00. Assumindo que as duas possuem preços semelhantes.
Deve-se ter em conta que as caracaterísticas de volatilidade de uma ação, pode se alterar dramaticamente a qualquer momento.
Outro fator que faz a volatilidade ficar mais confusa, é o fato de que existem quatro diferentes tipos: Histórica, futura, esperada e implícita (ou sub-entendida).
Volatilidade Histórica
A volatilidade histórica é uma medida dos movimentos de preços de uma ação que ocorreram durante um período de tempo no passado. Especificamente, volatilidade de preços de ações é o desvio anualizado das variações diárias de preços. Vamos exemplificar isto melhor:
Tabela V-1 : Cálculo da Volatilidade Histórica

















Reparem que os preços das ações A e B iniciam o período de 10 dias em 51,00 e terminam em 51,50. Mas a ação B tem variações de preços maiores durante o período. Isto levou a uma volatilidade maior para a ação B. Se as duas ações tivessem uma opção de vencimento e preço de exerçicio semelhantes no Dia 10, esperaria-se um preço maior para a opção da ação B do que para a opção da ação A, ainda que as duas ações tenham o mesmo preço base.
Volatilidade e Preço das Opções
Vamos começar por um exemplo bastante simples: Considere a Ação A que tem o preço atual de R$100,00 e só tem duas possibilidades no dia do vencimento das opções: R$99,00 ou R$101,00. Não estamos considerando neste exemplo simplificado o tempo para o exercício.
Tabela V - 2 : Cálculos do Valor Esperado - Volatilidade de 1 ponto









Total Preço Esperado da Ação: (0,50 X 101) + (0,50 X 99) = 100 Total Preço Esperado da Opção: (0,50 X 1,00) + (0,50 X 0) = 0,50

Com o preço da ação começando em R$100,00 e só podendo aumentar um real para R$101 ou cair um real para R$99,00, o preço da ação tem uma volatilidade de um ponto - um movimento de um ponto, indepe ndente da direção.
O valor final da opção de R$100,00 desta ação dependerá do valor final da ação no dia do exercício. Se a ação subir para R$101,00, a opção terá um valor de R$1,00. Se o valor da ação decair para R$99,00, a opção vai expirar sem valor e terá valor de R$0,00.
Sabendo os preços finais possíveis para a ação e a probabilidade que cada um possa ocorrer, é possível calcular valores esperados para a ação e a opção de R$100,00.
Valor Esperado é um conceito estatístico que significa o resultado médio. A presunção é que o evento é repetido um grande número de vezes para que cada resultado esperado ocorra de acordo com sua possibilidade estatística.
Retornando a Tabela V-2 , ocorre uma chance de 50% que a ação suba para R$101,00 e uma chance de 50% que a ação caia para R$99,00. Consequentemente, o resultado da média balanceada, ou o preço esperado da ação é de R$100,00 como pode ser visto no cálculo abaixo da tabela.
O valor esperado da opção é de 0,50 como pode ser visto no cálculo abaixo da tabela.
Modificando a Volatilidade
O exercício acima nos traz a seguinte pergunta: Se a magnitude dos movimentos para cima e para baixo se modificar, o que acontecerá com os valores esperados?
Tabela V-3 : Cálculos do Valor Esperado - Volatilidade de 2 pontos









Total Preço Esperado da Ação: (0,50 X 102) + (0,50 X 98) = 100 Total Preço Esperado da Opção: (0,50 X 2,00) + (0,50 X 0) = 1,00
Neste exemplo, assumimos que o preço da ação, começando em R$100,00, pode aumetar ou cair R$2,00. A volatilidade, sem levar em conta a direção, aumentou para dois pontos.
O preço esperado calculado para a ação permanece em R$100,00, apesar da maior volatilidade.
No caso da opção, entretanto, a maior volatilidade da ação, resulta em um valor esperado calculado diferente.
A um preço de R$102,00 para a ação, no dia do exercício, a opção de R$100,00 estrá cotada a R$2,000. A um preço de R$98,00 para a ação, no dia do vencimento das opções, a opção de R$100,00 não é exercida e termina com um valor de R$0,00. Como existe um chande de 50% de cada uma das possibilidades ocorrerem, o valor esperado calculado para a opção é de R$1,00.
Os cálculos são mostrados abaixo da Tabela V-3.
Deve-se notar que o preço esperado calculado da mesma opção dobrou de preço devido ao aumento da volatilidade. Isso demonstra bem como a volatilidade interefre nos preços das opções. Enquanto que no primeiro exe mplo, o preço esperado para a opção era de R$0,50 ; no segundo exemplo, espera-se R$1,00 como preço da opção. Isto, estando a ação nos mesmos R$100,00.
Uma Analogia a Volatilidade
Há duas diferenças entre as situações mostradas nas tabelas V-2 e V -3:
Primeiro, um tamanho diferente no movimento para cima ou para baixo - a volatilidade. O exemplo com movimento de dois pontos pode ser dito como mais volátil que o exemplo com movimento de um ponto apenas.

A segunda diferença é o valor esperado calculado para a opção de R$100,00: R$0,50 para o primeiro exemplo e R$1,00 para o segundo exemplo. Mas é importante notar que não há nenhuma diferença para o valor esperado calculado da ação subjacente; ambos os caso apresentavam um valor esperado para a ação de R$100,00.
Isto leva ao primeiro conceito importante a cerca da volatilidade: um aumento na volatilidade aumenta o valor esperado da opção de R$100,00, mas não afeta o valor esperado da ação subjacente. Ainda que apresentado de forma simplificada, esta é uma conclusão geral que se mostra verdadeira no mundo mais sofisticado da matemática superior.
Logo, conclui-se que o aumento da volatilidade irá levar a aumento teórico dos preços das opções sem alterar a expectativa em relação ao preço das ações.
Buying Call Options
Comprando Opções de Compra
Esta é a estratégia com opções mais popular. Se o preço do ativo adjacente subir suficientemente, o comprador de opções de compra pode obter lucros de muitas vezes o investimento inicial.
Uma opção de compra, como já sabe (ver Conceitos Básicos) dá ao comprador o direito (mas não o dever) de comprar o mesmo número de ações que ele possui em opções, a um preço especificado, em qualquer data até o vencimento da mesma.
Como um comprador de opções de compra, você terá três estratégias diferentes para seguir:

1 Vender a opção de compra antes do exercício;
2 Exercer a opção de compra e comprar o número correspondente de ações;
3 Deixar que a opção de compra expire sem valor;

Você nunca estará obrigado a comprar as ações quando você é o comprador da opção. O vendedor, por outro lado, tem a obrigação de lhe entregar as ações pelo preço combinado se assim você desejar. A decisão que você faz como o dono das opções de compra depende de:
1 O movimento atual da ação subjacente e seu efeito no valor da opção;
2 Suas razões iniciais para comprar a opção de compra
3 Sua postura perante o risco e a sua postura perante tirar logo os lucros ou esperar para ter um possível lucro maior no futuro (que também pode virar prejuízo).

Compreendendo a Vida Limitada de um Opção de Compra
Você pode se transformar em um comprador de opções de compra simplesmente pelo interesse de ter um lucro dentre um pequeno período de tempo. Este lucro é realizado vendendo a opção a um valor mais alto do que você pagou por ela, ou exercendo a opção, comprando a ação subjacente por um valor abaixo do mercado. A opção de compra pode também ser utilizada para contra-balancear (hedge) uma posição de venda descoberta na ação subjacente.
Todo investidor é submetido a riscos, e o risco para os comprados não é o mesmo que para os vendidos. Antes de se tornar um comprador de opções de compra. examine o risco e se torne completamente familiar com as perdas potenciais, bem como os ganhos potenciais. Já que a opção comprada existirá somente por um determinado período de tempo, você terá que conseguir chegar a seus objetivos antes do vencimento, ou o investimento se tornará sem valor.
Qualquer pessoa que já comprou ações sabe que o tempo é uma regalia. De fato, uma das verdades sobre a bolsa de valores é que os melhores investidores são usualmente pacientes.
Leva tempo para companias amadurecerem, e o crescimento a longo prazo significa que os donos de ações normalmente tem que sentar e esperar diversos anos antes que seu investimento esteja realmente dando lucro. O comprador de ações decide quando e se quer vender. A maioria das pessoas compra ações para receber dividendos e lucros a longo prazo (ao menos deveria ser assim), então o tempo é um benefício. Compradores de opções de compra, por outro lado, não podem esperar tanto tempo. Para o comprador de opções de compra, o tempo é um inimigo.
Uma simples comparação entre comprar ações e comprar opções define a especulação. Tipicamente especuladores aceitam o risco de perda total em troca da oportunidade de lucros potenciais substanciais. Já que uma quantidade relativamente pequena de dinheiro é suficiente para se comprar opções de compra de uma razoável quantidade de ações, é razoável chamar a compra de opções de compra de uma forma de alavancagem. Umas das formas mais comuns de alavancagem e pegar dinheiro emprestado para investir. Comprar opções é outra forma. Como as opções são somente direitos e não inclui propriedade absoluta de um bem, e porque elas existem somente por um período limitado de tempo, elas são apostas paralelas no mercado. Um comprador está apostando que o valor da ação vai aumentar, e um vendedor está apostando que o valor da ação vai cair. Lucros e prejuízos rápidos e significativos ocorrem para os compradores de opções de compra, e saber as extensões destes lucros e prejuízos potenciais é um primeiro passo muito importante.
Saber no que você está se metendo, determinando que esta estratégia é adequada para você, e compreendendo os riscos envolvidos define se você pode entrar neste investimento. É muito comum que investidores saibam somente o potencial de lucros de uma estratégia e não estejam cientes dos riscos.
Vamos nos utilizar de exemplos para demonstrar como esta estratégia (call buying) pode ser adequada a uns e não a outros.
Exemplo 1: Um investidor tem quase nenhuma experiência de mercado, só comprou algumas poucas ações e não sabe bem como o mercado funciona. Ele tem R$1000,00 para investir hoje e decide que deseja obter um lucro o mais rápido possível. Um amigo conta para ele que lucros rápidos e grandes podem ser conseguidos comprando opções de compra. Ele precisa de ao menos R$1500,00 em dois meses para saldar um dívida. Na verdade ele não pode suportar o risco, mas e le deseja comprar 3 lotes de opções de comprar por R$3,00 cada, totalizando, neste caso, R$900,00. Se a ação subir 3 reais, ele pode dobrar seu dinheiro; se a ação cair, ou não se mover, ele perde todo seu dinheiro.
O investimento em opções (notadamente a compra de opções de compra) não é adequada a este investidor. Ele não sabe que fatores fazem as ações subirem ou cairem, ele não tem condições financeiras de arriscar seus R$1000,00, ele conhece o potencial de lucro da estratégia mas desconhece o risco.
Nota do Bastter
Vejam, se esta situação descrita acima não é extremamente comum em nosso meio. Agora vou traduzir literalmente uma parte de um dos livros de opções que eu utilizo e vocês terão ideia do absurdo que está ocorrendo em alguns de nosso Home -Broker: "NESTA SITUAÇÃO, O CORRETOR É RESPONSÁVEL EM RECONHECER QUE A COMPRA DE OPÇÕES DE COMPRA NÃO É ADEQUADA. O CORRETOR DEVE DESENCORAJAR ESTE INVESTIDOR DA COMPRA E, SE O INVESTIDOR INSISTIR, O CORRETOR DEVE SE RECUSAR A EXECUTAR A ORDEM." Surpreendente não. Pois aqui em alguns lugares tem se feito ao contrário, incentivando pessoas que nem sabem o que são opções, que nunca nem negociaram ações a comprar opções de compra com seu pouco dinheiro, sem saber no que estão se metendo. Estão matando a galinha dos ovos de ouro, isso é o que eu acho. Voltemos ao texto:
Compradores de opções de compra que obtem sucesso, desenvolvem um acurado senso de timing. Entretanto este sentido cresce da observação de como a ação adjacente se movimenta. Não é somente o timing baseado nos movimentos das ações que é importante, mas também a distância entre a compra e o vencimento das opções também afeta o nível de risco, e este nível pode ser diferente para cada ação. Já que estas noções são extremamente importantes para o call buyer, e leva tempo para adquirí-las, o novato tende a ter mais perdas do que lucros.
Exemplo 2: Uma investidora tem diversos anos de experiência no mercado financeiro. Ainda que ela nunca tenha investido em opções, ela estudou bastante esta modalidade de investimento. Ele simulou alguns investimentos em opções, para treinar antes de arriscar seu dinheiro. fazendo isso começou a compreender os padrões de mudanças de preço. Ela possui um portfolio razoável de ações relativamente seguras e cotas de fundos de ações e aproximadamente R$1000,00 em dinheiro para arriscar no mercado de opções. Ela deseja comprar as mesmas opções de compra cotadas a R$3,00, gastando R$900,00 e conhece os potenciais de lucro e prejuízo.
Esta situação é totalmente diferente da anterior. Esta investidora entende o mercado, ela pode suportar a perda de R$1000,00; ela conhece o potencial de ganho e o risco. E, ainda que ela tenha pouca experiência em opções, ela estudou este mercadoe até treinou com trades virtuais.
Julgando a Opção de Compra
A maioria dos compradores de opções de compra perdem dinheiro! Mesmo com o conhecimento mais adiantado de ações e do mercado de opções, este fato não deve ser esquecido. Em muitos casos, a ação subjacente aumenta de valor, mas não o suficiente para exceder o theta (valor do tempo) declinante na opção. Então, em algumas instâncias, uma ação que sobe modestamente não é suficiente para produzir lucros para o investidor em opções.

Exemplo 1: Você compra uma call por R$4,00 gastando 400 reais quando ela estava no dinheiro (at-the­money) - o preço de mercado da ação e o de exercício da opção eram semelhantes = R$45,00. No dia do vencimento das opções, a ação subiu para R$47,00, mas a opção está valendo somente R$2,00. Porque? Todo o prêmio de R$4,00 no dia em que você comprou era de theta (valor do tempo) e o valor intríssico era de zero (Nota do Bastter - entendam aqui porque é mais fácil ganhar dinheiro vendendo do que comprando opções). Os R$4,00 de valor do tempo se evaporam completamente até o dia do vencimento. Com a elevação do preço da ação para R$47,00, a opção passou a ter um valor intríssico de R$2,00 (47,00 - 45,00 - preço de exercício). A melhor alternativa neste caso seria vender a opção logo antes do vencimento por R$2,00 e aceitar o prejuízo de R$200.
Exemplo 2: Você comprou uma opção de compra dois meses atrás por R$0,37 quando a ação estava R$7,00 out-of-the-money (fora do preço), ou seja a ação estava sendo negociada R$7,00 abaixo do preço de exercício da opção que você comprou. Chega o dia do vencimento das opções. A ação subiu neste período R$6,00, o que é uma subida bem forte. Entretanto a opção não vale nada porque mesmo com a forte subida da ação, a opção permanece out -of-money (preço de exercício acima do valor de mercado da ação). O prêmio na hora da compra da opção era consistido somente de valor do tempo, e não havia nenhum valor intríssico.
Compradores de opções de compra perderão dinheiro se eles não determinarem objetivos. Se o valor do prêmio cair abaixo do seu preço de compra, eles precisam vencer não somente o preço em queda, mas o tempo. Por isso é importante estabelecer sempre um stop, para diminuir suas perdas em determinado ponto. Por outro lado, se o prêmio subir de preço, saiba aonde você venderá e realizará lucros. Se não for assim, o lucro de hoje, poderá desaparecer amanhã e a oportunidade será perdida. os call buyers que sucedem, são aqueles que tem stops e objetivos pré-detrminados e os cumprem com disciplina.
Exemplo 3: Você compra uma call a R$4,00 gastando R$400,00 para tanto. Coloca um stop em R$2,00 aceitando uma perda de R$200,00. Determina também que irá realizar lucros de R$300,00 se a opção estiver valendo R$7,00. Você sabe que com opções de compra, o tempo é sempre limitado e as oportunidades podem não se re petir. Como um comprador de opções de compra, normalmente você não tem uma segunda chance.
Pode ser possível ter lucros somente com o valor do tempo, significando comprar uma opção out -of-money (preço de exercício acima do preço de mercado da ação), mas não conte sempre com isso. Quanto maior a distância entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção, menor a sua chance de ter lucros com a compra de opções de compra.
Estabelecendo Objetivos para o Call Buying
A maioria das pessoas pensa em comprar opções como uma atividade puramente especulativa. Se o preço subir, você realiza um lucro, se o preço cair, você perde. Ainda que isso seja essencialmente verdade sobre a compra de calls, elas podem ser utilizadas de outras formas:
Objetivo 1: Alavancar uma Posição
Alavancar significa utilizar uma pequena quantidade de dinheiro para controlar um grande investimento. Esta é a descrição perfeita da compra de opções de compra. Por algumas centenas de reais, você controla uma grande quantidade de ações. Por controle queremos dizer que você pode decidir comprar aquela quantidade de ações a qualquer tempo antes do exercício.
Alavancar uma posição é a principal razão de se comprar opções de compra - isto é calls produzem o potencial para ganhos substanciais através do uso de uma pequena quantidade de dinheiro. Esta é a razão porque tantos investidores assumem o risco de se comprar opções. O potencial de lucro torna este investimento interessante para eles. Vamos exemplificar como pode-se obter lucros rapidamente comparando a compra de opções de compra com a compra de ações:
Assuma que você está comparando os riscos entre a compra de um lote de ações ou a compra de um lote de opções relativas aquela ação, com vencimento para daqui a quatro meses. A ação está sendo negociada a R$62,00. Um lote da ação custará R$6200,00. Um lote de opções de compra com preço de exercício de R$60,00 está custando R$5,00 o que lhé custará R$500,00. Do prêmio total desta opção dois pontos são valor intríssico e 3 pontos são valor do tempo.
Como uma comprador de calls, seu plano é vender a opção antes do vencimento. Como a maioria dos call buyers, você não tem intensão de exercer a opção e comprar o lote de ações, mas espera que o valor de mercado da ação suba o suficiente para que o valor intríssico da opção cresça também. Isso produzirá um lucro.
Por apenas R$500,00 você controla um lote de ações valendo R$6200,00. Isso é alavancagem. Você não precisa investir R$6200,00 para ter controle. Por outro lado o investidor que compra as ações e não as opções, recebe dividendos e não precisa ficar pressionado pelo tempo. Sem contar as comissões, impostos e corretagens, vamos ver o que poderia acontecer:
Se a ação subir 5 pontos, o lucro de R$500,00 do investidor que comprou um lote de ações representa 8,1%. No caso do call buyer, o lucro de R$500,00 com o mesmo aumento, irá representar 100% de lucro! Mas ele só terá este lucro se o aumento de R$5,00 em valor intríssico ocorrer antes da perda dos R$3,00 de valor do tempo. Se o aumento de R$5,00 ocorrer no momento do exercício, ele seria na verdade um aumento de somente R$2,00 (devido a perda dos R$3,00 de valor do tempo).
Tabela B - IIa Comparação da taxa de lucro entre compra de ações e opções















obs: considera-se que o aumento de preço da ação ocorreu no início do exercício, quando o preço da opção ainda possuia valor do tempo.
Como um call buyer, você está sob pressão do tempo, por duas razões. Primeiro a opção irá expirar em uma data determinada no futuro. Segundo, conforme o data de vencimento das opções se aproxima, a taxa de perda em relação ao valor do tempo acelera. Por isso a chance de perda do comprador de opções é maior. Um aumento no valor da ação subjacente não é suficiente. O aumento tem que ser o suficiente para suplantar o valor do tempo que se perde e permitir um lucro acima do preço de exercício que exceda o prêmio pago.
Você pode comprar opções com valor do tempo mínimo ou sem valor do tempo. Mas para fazer isso, você tem que selecionar calls que estão próxima a data de vencimento, logo você terá pouco tempo para que o valor da ação suba.
Exemplo 1: Na primeira semana de Maio, a opção de vencimento em Maio com preço de exercício de R$50,00 está sendo vendida por R$2,00 e a ação subjacente está sendo negociada no mercado a R$51,60. (A opção está R$1,60 in-the -money). Você compra um lote de opções considerando que somente R$0,40 da mesma são valor do tempo. Se a ação subir R$1,00, você terá lucros. Já que o tempo é curto, suas chances de realizar lucro são pequenas. Mas os lucros se ocorrerem serào próximos a real por real com o movimento da ação. Se por um acaso a ação subir R$3,00, você pode dobrar seu dinheiro em um ou dois dias. É claro que se a ação cair R$2,00 ou mais, você perderá todo seu dinheiro.
Quanto maior o tempo para o exercício, maior o valor do tempo do prêmio da opção e maior o aumento do preço da ação que você necessitará somente para manter o valor da opção. Para o comprador de opção, a interação entre tempo e valor do tempo é crucial.
Exemplo 2: Você compra uma opção por R$5,00 quando o preço da ação está próximo ao preço de exercício da opção (R$30,00). Sua vantagem é que faltam quatro meses para o exercício da opção. Durante três meses e meio a ação permanece acumulando em torno deste valor e o preço da opção, principalmente devido a valor do tempo, cai progressivamente. Subtamente a 10 dias do exercício a ação sobe para R$33,00, mas porque agora a maioria do valor do tempo já desapareceu, a opção só vale R$3,00 e você perdeu R$200,00 mesmo com a ação tendo aumentado de preço. Se este aumento súbito da ação tivesse ocorrido a um ou dois meses atrás, teria refletido no preço da opção de outra forma, e você poderia ter realizado um lucro consistente. Este exemplo mostra a fundamental relação do tempo e valor do tempo para o preço das opções.

Comprar opções para alavancar uma posição, controlando um lote de ações ou mais, usando uma quantidade relativamente pequena de dinheiro - oferece o potencial de ganhos substanciais. Mas porque o valor do tempo declina conforme a data de exercício se aproxima, os riscos são também grandes. Mesmo com o melhor timing e análise, é extremamente difícil conseguir lucros sonsistentes através da compra de opções de compra quando se necessita de um aumento de preço nas mesmas através do tempo.

Objetivo 2 - Limitar os Riscos
De certa forma, o volume limitado de dinheiro que você investe quando compra calls reduz o seu risco. As perdas de quem possui ações são substancialmente maiores quando o preço da ação cai.
Exemplo 1: Você comprou uma opção a dois meses atrás e pagou um prêmio de R$5,00 (R$500,00). A data de vencimento está próxima é neste momento a opção está virtualmente sem valor, já que o preço da ação caiu R$12,00 neste período estando bem abaixo do preço de exercício da opção. Você espera perder os R$500,00 mas em comparação quem possui a ação está perdendo R$1200 pela mesma quantidade de ações. Você controlou aquela quantidade de ações utilizando somente R$500,00, significando menos capital sob risco, suas perdas são limitadas a somente R$500,00. Por outro lado, quem possui a ação pode esperar a ação subir de novo, ainda que leve anos, mas quem possui opções precisa que o preço da ação suba ainda durante o exercício da opção ou perde tudo.
O fator do tempo é um obstáculo a limitação de riscos através da compra de opções. Você só terá um benefício enquanto a opção existir, sendo o vencimento uma realidade da qual você não pode fugir. Quem possui ações tem mais dinheiro em jogo, mas não se preocupa com datas de vencimento. Ações não vencem. Não faz sentido comprar opções somente para limitar riscos.
Este é um benefício colateral da alavancagem. Você pode assumir que se você compra uma opção, se rá na expectativa de que o preço da ação suba no futuro imediato. Mas na eventualidade que você esteja errado, suas perdas são limitadas a quantidade que você está arriscando na forma do prêmio.

Objetivo 3 - Planejar Compras Futuras
Quando você possui uma opção de compra, você fixa o preço de uma compra futura na eventualidade que você decida exercer a mesma. Este uso das calls vai além da pura especulação.

Exemplo 1: O mercado recentemente experimentou um grave declínio de preços. Você vem observando uma ação que lhe interessa, que vinha sendo negociada entre R$50,00 e R$60,00.
Você gostaria de comprar um lote aos preços baixos de hoje (R$39,00). Você acredita que quando o mercado reverter, esta ação se mostrará uma barganha a este preço. Mas você não possui R$3900 neste momento para comprar um lote. Você receberá esta quantidade de dinheiro em aproximadamente dois meses. Sem saber o que poderá acontecer neste período de tempo, mas esperando que uma reversão ocorra no mercado, uma solução é comprar um lote de opções.

Para fixar o preço, você pode comprar calls enquanto o mercado está em queda, com a intenção de exercer estas opções quando você obtiver o dinheiro. A vantagem desta estratégia é que seu investimento é limitado. Então se você estiver errado e a ação continuar a cair, você perde somente o valor do prêmio.
Objetivo 4 - Hedge de Vendas
Uma razão final para comprar calls é para proteger uma posição vendida na ação subjacente ou em opções da mesma ação. A maioria dos investidores compram ações na esperança que os preços das ações subirão no futuro. Em algum momento eles pretendem vender aquelas ações com lucro. Outros investidores acreditam que as ações iram cair, e vendem ações ou opções (shorting). Se eles estiverem certos, os preços cairão e eles poderão fechar suas posições com lucro.

Exemplo 1: Um investidor vende um lote de uma determinada ação a R$58,00. Um mês depois o valor da ação caiu para R$52,00. Ele compra o lote de ação realizando um lucro de R$600,00.
O risco de quem vende descoberto, como o exemplo acima é ilimitado. Se ele estiver errado e o valor da ação subir, ele só poderá fechar sua posição comprando um lote da ação a um preço maior do que vendeu. Para se proteger deste risco, os shorters podem comprar opções.
Exemplo 2: Um investidor vende um lote de ações a R$58,00. Ao mesmo tempo ele compra um lote de opções daquela ação com preço de exercício de R$65,00 pagando um prêmio de R$0,87. Seu risco não é mais ilimitado. Se o preço de mercado subir acima de R$65,00, o valor da opção protege a posição.O risco é limitado a 7 pontos.
A mesma coisa pode ser feita com opções, quando se vende por exemplo uma opção de preço de exercício de R$40,00 e compra-se a mesma quantidade na de preço de exercício de R$44,00. Seu risco estará limitado a R$4,00. Desta forma, coloca-se um limite no risco da venda.
Buying Put Options
Comprando Opções de Venda
Infelizmente as opções de venda, em nosso país, ainda não adquiriram a liquidez necessária para podemos operar com as mesmas. Por isso, apesar de considerar uma estratégia deveras interessante, vou falar resumidamente do assunto.
Vocês se lembram que o comprador de opções de compra adquire o direito de comprar a mesma quantidade de ações. Em comparação, uma opção de venda (put) dá ao comprador o direito de vender a mesma quantidade de ações. O prêmio pago para adquirir uma put, dá ao comprador este direito.
No lado oposto desta transação está o vendedor de opções de venda, que concorda em comprar a quantidade determinada de ações ao preço de exercício, se o comprador assim exigir.
Como um comprador de opções de venda (put buyer), você tem uma escolha a fazer no futuro próximo:

1 Você pode vender a opção antes do vencimento;
2 Pode exercer a opção e vender a quantidade determinada de ações ao preço de exercício;
3 Pode deixar a opção expirar sem valor (micar)

Você não está obrigado a vender as ações relativas as opções. Esta é uma decisão sua. É um direito não uma obrigação. O vendedor, entretanto, estará obrigado a comprar as ações, se você decidir exercer a opção.
A decisão que você toma, como um put buyer, depende dos mesmos fatores que motivam os call buyers:
1 O movimento da ação subjacente e como este movimento afeta o prêmio da opção;
2 Seus objetivos com a compra da opção e as condições atuais do mercado em relação a estes
objetivos
3 Sua disposição de esperar uma série de eventos entre agora e a data do vencimento ou ter um lucro certo.

Compreendendo a Vida Limitada de uma Opção de Venda

Se você acredita que uma ação vai perder valor, você pode:
1 Vender a ação (shorting)
2 Vender opções de compra
3 Comprar opções de venda

Shorting de ações é uma estratégia de especuladores que acreditam que o valor da ação irá cair. Se eles estiverem certos, eles consiguirão fechar suas posições com lucro. Vender ações é uma atividade perigosa. O risco é bem maior do que comprar ações. Se o preço da ação sobe, o shorter terá que assumir um prejuízo. E este não tem limites. Diferente de quando se compra uma ação onde o maior risco é o dinheiro que você pagou pela ação.
Vender opções de compra apresenta teoricamente o mesmo risco. A única diferença aqui, é que a venda de opções pode ser coberta pela posse da mesma quantidade de ações o que torna o risco limitado.
A estratégia final para aqueles que acreditam que o preço da ação vai cair, é comprar opções de venda (buying putts). Você tem alguns dos riscos do vendedor de opções de compra.
No caso do putt buyer, o tempo está contra ele. Se o preço da ação cai, mas não o suficiente para superar o theta (valor do tempo), você sairá no zero a zero ou com perdas limitadas. Se o preço da ação subir e a opção espirar sem valor (micar), mesmo assim seu risco está limitado ao que você pagou de prêmio pela opção. Diferente da venda da ação ou de opções de compra, a compra de opções de venda é uma operação com riscos limitados.
A grande vantagem de comprar opções de venda é que você pode se beneficiar das quedas do mercado (que andam muito frequentes por sinal) sem ter que assumir os riscos de vender opções de compra ou ações.
Para que você ganhe comprando opções de venda é necessário que a ação tenha uma perda de valor grande e rápida o suficiente para suplantar o valor do tempo, que fará com que a opção perda valor. lembre-se você está comprando opções de venda. Elas passam a valer mais se o preço da ação cai. Se a ação permanece estável ou perde pouco valor, a opção de venda tende a perder valor com o passar do tempo.
A compra de opções, sejam opções de compra ou de venda, só deve ser feita por quem conhece
perfeitamente os riscos e acompanha os preços da ação subjacente a algum tempo. Você tem que estar disposto a perder todo o valor que pagou pelo prêmio. Não pode haver dúvidas: Comprar uma opção é um investimento de risco, e só deve ser feito se você tem condições de assumir uma perda.

A História das Opções

O Início
O primeiro registro de uma transação de opções envolvendo um contrato está na bíblia. O Livro de Gênesis conta como Jacob fez um contrato do tipo opções para se casar com a filha mais nova de Laban, Rachel. Jacob obteve permissão para casar com Rachel se ele concordasse em trabalhar para Laban por sete anos. Na linguagem das opções, Jacob pagou o "prêmio" de sete anos de trabalho e recebeu o "direito mas não a obrigação" de casar com Rachel.

O primeiro especulador com opções que se tem registro foi Thales, um astrônomo e o primeiro eminente filósofo grego. Segundo Aristótele, Thales "sabia pelos seus conhecimentos das estrelas, ainda no inverno, que ocorreria uma grande colheita de aze itonas no ano seguinte.

Tendo pouco dinheiro, ele reservou todos os depósitos de olivas em Chios e Miletus, pagando taxas bem baratas porque não haviam mais interessados." Uma colheita abundante e uma grande demanda por depósitos de olivas provou que as previsões de Thales estavam corretas, e com seus contratos de locação já pagos, ele utilizou os depósitos com grande lucros.

Ainda que muitas pessoas associem opções apenas com especulação, o conceito de opção veio de uma necessidade de controle do risco ligado as flutuações dos preços nos mercados agrícolas. A primeira documentação de tal uso das opções ocorre na Holanda em 1634.

As tulipas eram um símbolo de status entre a aristrocacia holandesa do século 17 e, neste tempo, era comum os mercadores venderem a futuro (para entregar a posteriori). Havia portanto, grande risco em aceitar vender a um preço fixo no futuro sem saber, com certeza, qual seria o preço exato no momento da venda.

Para limitar este risco e assegurar uma margem de lucro, muitos mercadores compravam opções dos plantadores. Estas opções asseguravam aos mercadores o direito, mas não a obrigação, de comprar tulipas dos plantadores a um preço pré-determinado por um período específico de tempo. Em outras palavras, o preço máximo para os mercadores era fixado até que chegasse a hora de entregar as tulipas aos aristocratas e receber o pagamento.

Se as tulipas passassem a custar mais que o preço máximo (ou pré-determinado), os mercadores que possuiam as opções, exigiariam do plantador a ent rega ao preço máximo combinado, assegurando uma margem de lucro. Se, entretanto, o preço caísse e a opção expirasse sem valor, o mercador ainda podia ter lucro comprando tulipas a um preço mais baixo e depois revendendo com lucro. Estes contratos de opções, permitiu que muitos mercadores permanecessem trabalhando durante períodos de extrema volatilidade nos preços das tulipas.

O conceito importante que fica desta pequena história é que as opções não foram criadas para serem o instrumento especulativo que muitos fazem uso, mas sim, para serem um intrumento de proteção contra grandes variações de preços.

Características Operacionais do Mercado de Opções

Definições

Seguem abaixo algumas definições de opções extraídas da literatura básica do tema:

“… Direito de compra ou de venda de um bem, valor mobiliário ou commodity por preço especificado (preço de exercício), dentro de um certo prazo…”
“… É um contrato negociável, em que o vendedor (lançador), por um valor em dinheiro determinado prêmio, confere ao comprador o direito de exigir, dentro do prazo especificado de obrigações, unidades de moeda, unidades de índice ou ações, por preço ou taxa fixos, chamados de preço ou taxa de exercício…”
Gastineau, Gary e Kritzman, Mark
Dicionário de administração de risco financeiro 2000

“…Opção é um instrumento que dá ao seu titular, ou comprador, um direito futuro sobre algo, mas não uma obrigação; e a seu vendedor, uma obrigação futura, caso solicitado pelo comprador da opção…”
Silva Neto, Lauro de Araújo
Opções do tradicional ao exótico – 2º edição 1996

A partir das citações acima, podemos concluir que no Mercado de Opções é negociado o direito de compra ou de venda de algum ativo, numa data futura, por preço pré-determinado, denominado preço de exercício.

Participantes do Mercado de Opções

Os contratos de opções envolvem basicamente dois participantes: o titular e o lançador da opção:

Titular da Opção: O titular compra do lançador da opção o direito de comprar ou vender algum ativo numa data futura, por um preço pré-determinado.
É importante frisar que o titular é detentor de um direito que ele pode exercer ou não, de acordo com a sua conveniência.
Para obter esse direito, o titular da opção paga ao lançador, em data presente, um valor, que é o prêmio da opção.

Prêmio da Opção: Definimos como prêmio o valor pago pelo titular ao lançador para obter um direito. É o valor da opção que é negociado entre as partes (no pregão viva voz, sistema eletrônico ou no mercado de balcão) ou seja, é o preço da opção.

Lançador da Opção: O lançador da opção vende ao titular o direito de comprar ou vender algum ativo, numa data futura por um preço pré-determinado, porém o lançador tem uma obrigação para com o titular da opção, ou seja, uma vez que o titular resolver exercer o seu direito, o lançador tem a obrigação de cumprir o contrato. Para assumir essa obrigação o lançador recebe, em data presente, do titular um valor, o prêmio da opção.

Preço de exercício: Preço pelo qual o titular da opção poderá exercer seu direito.
Existem dois tipos de Opções:

• Opção de Compra: denominada também como Call, é a opção que fornece ao titular o direito de comprar o ativo objeto e ao lançador, a obrigação de vendê-lo.

Os titulares de uma opção de compra são indivíduos que desejam comprar um ativo em uma data futura, garantindo o preço máximo do ativo (preço de exercício).
Os lançadores são indivíduos que serão possuidores do ativo objeto em uma data futura e assumem a obrigação de vendê-lo na data do exercício, em troca do pagamento presente de um prêmio.

• Opção de Venda: denominada também como Put, é a opção que fornece ao titular o direito de vender o ativo objeto e ao lançador, a obrigação de comprá-lo. Os titulares de uma opção de venda são indivíduos que desejam vender um ativo em uma data futura, garantindo o preço mínimo de venda do ativo (preço de exercício).

Os lançadores são indivíduos que serão compradores do ativo objeto em uma data futura e assumem a obrigação de comprá-lo na data do exercício, em troca do pagamento presente de um prêmio.

O Conceito de negociação de Opções

Apesar de aparentemente complicado, o conceito de negociação de opções é simples, ainda que de uma forma implícita; fazendo parte da vida cotidiana de todos nós.
Para facilitar a compreensão do conceito de negociação de opções, antes de apresentarmos o seu funcionamento como instrumento financeiro, demonstraremos alguns exemplos do dia-a-dia em que podemos aplicá-lo.

Mercado de Seguros

Quando fazemos a aquisição de uma apólice de seguro de automóvel, ou nos associamos a um plano de seguro saúde, por exemplo, pagamos à seguradora um valor para que, caso algum dia haja um sinistro ou um problema de saúde, possamos receber da seguradora um ressarcimento ou ter o tratamento médico pago.
No exemplo acima, o assegurado é o titular da opção cujo prêmio é o valor da apólice paga no momento da adesão ao seguro. A seguradora é a lançadora da opção, cujo ativo objeto é o ressarcimento no caso de um sinistro ou o tratamento médico em caso de doença. A seguradora terá sempre a obrigação para com o assegurado, mas este não tem nenhuma obrigação futura com a seguradora, ou seja, ele poderá exercer sua opção (utilizando as coberturas do seguro) ou não.

Mercado de Imóveis

Os contratos de compra e venda de imóveis no mercado à vista costumam ser firmados antes da escritura. Usualmente, o comprador paga ao vendedor do imóvel um sinal que lhe confere o direito de comprar o imóvel posteriormente, mas se nesse interim, o comprador encontrar um outro imóvel similar por um preço inferior ao do preço do imóvel somado ao sinal, ele poderá desistir do negócio, perdendo apenas o valor do sinal, garantindo um preço mínimo de compra do imóvel.
Nesse exemplo, o proprietário do imóvel é o lançador da opção, pois é ele quem recebe o sinal (prêmio da opção) e assume perante o comprador do imóvel (titular da opção) a obrigação de vender o imóvel na data da assinatura da escritura.
O comprador do imóvel não tem qualquer obrigação para com o vendedor do imóvel, podendo exercer ou não seu direito de adquiri-lo quando da data de assinatura da escritura.


Diferenças entre os Mercados Futuros e de Opções

Existem algumas vantagens dos mercados de opções em relação aos mercados futuros. Duas características que impõe limitações aos participantes dos mercados futuros são:

a. Os mercados futuros permitem apenas a proteção contra oscilações desfavoráveis de preços, mas não permitem, contudo, que os seus participantes possam aproveitar de um movimento favorável de preços. Isso porque o preço que é fixado na abertura da posição é o preço líquido alcançado com a operação, ou seja, independente dos preços no mercado físico moverem-se favoravelmente ou não, no fim da operação a posição será encerrada por aquele preço estipulado na abertura da posição.
b. Todos os participantes do mercado futuro devem depositar a margem de garantia, porque ambos (comprador e vendedor) oferecem riscos ao sistema. Além do depósito da margem, o participante deve dispor de uma quantia razoável para que possam ser cobertos os eventuais ajustes diários negativos. Assim sendo, o participante fica com um capital imobilizado devido à margem de garantia e ainda deve administrar ajustes diários, o que pode ser muito custoso, principalmente aos hedgers.


Os Mercados de Opções possuem algumas características que solucionam os problemas dos mercados futuros acima apontados:

A principal distinção entre os Mercados Futuros e os Mercados de Opções é que nos primeiros, tanto comprador como vendedor, possuem obrigações e no segundo, uma das partes possui uma obrigação (lançador) e a outra um direito (titular).
Assim sendo, os titulares das opções tem a possibilidade de se proteger apenas contra a alta ou a queda de preços exercendo ou não o seu direito.
As margens de garantia e os ajustes diários que desestimulam muitos participantes são substituídos por apenas um único pagamento inicial (prêmio da opção) que é também a perda máxima que o titular pode realizar. Apenas o lançador da opção precisa depositar a margem, pois é o único que oferece risco de não cumprimento do contrato.
O próximo quadro sintetiza as diferenças funcionais e operacionais entre os Mercados Futuros e de Opções:

Mercados Futuros X Opções

As duas contrapartes possuem obrigações quando da liquidação do negócio.
Uma contraparte possui uma obrigação (lançador) e a outra um direito (titular).
O preço de abertura de uma posição a futuro é o preço líquido alcançado pela estratégia. O comprador ou vendedor do contrato negocia a mercadoria por um preço fixo independente das cotações no mercado a vista terem caído ou subido. É possível se garantir contra movimentos desfavoráveis de preços e não é possível aproveitar as oscilações favoráveis do Mercado.
Os mercados de opções permitem aos seus titulares montar estratégias que permitem a proteção apenas contra a alta ou a queda de preços, de modo que é possível aproveitar movimentos favoráveis de preços.

Comprador e vendedor devem depositar margem de garantia
O titular da opção faz apenas um pagamento inicial (prêmio da opção) e não precisa depositar a margem de garantia.
Apenas o lançador da opção necessita depositar a margem de garantia.
Ajuste diário
Ausência de ajuste diário


Com os conceitos apresentados anteriormente podemos agora definir de forma completa os participantes do Mercado de Opções:


Participante
Definição
Comprador de uma Opção de Compra
É o titular que tem o direito de comprar o ativo objeto por um preço de exercício até ou na data de exercício.
Vendedor de uma Opção de Compra
É o lançador e possui a obrigação de vender o ativo objeto por um preço de exercício até ou na data de exercício.
Comprador de uma Opção de Venda
É o titular que tem o direito de vender o ativo objeto por um preço de exercício até ou na data de exercício.
Vendedor de uma Opção de Venda
É o lançador e possui a obrigação de comprar o ativo objeto por um preço de exercício até ou na data de exercício.


Exemplo de uma operação no Mercado de Opções:
Compra de uma Call (opção de compra) para vencimento em 20 de junho de 2004 com preço de exercício R$ 2.500,00, pagando um prêmio de R$ 100,00.

Interpretação:
O comprador da opção (titular), estará adquirindo o direito (mas não a obrigação), de comprar um determinado ativo por R$ 2.500,00. O vendedor da opção (lançador) estará assumindo a obrigação de vender o ativo. Para assumir essa obrigação, o lançador recebeu do titular um valor presente de R$ 100,00 (prêmio).

Situações possíveis:

a. O valor do ativo objeto é superior ao preço de exercício

Suponha que o valor do ativo objeto na data do exercício seja de R$ 2.800,00. Esse valor é maior do que o preço de exercício somado ao prêmio (R$ 2.500,00 + R$100,00 = R$ 2.600,00), logo o titular exercerá o seu direito, pois dessa forma ele estará obtendo um ganho líquido de R$ 200,00 (R$ 2.800,00 - R$ 2.600,00 = R$ 200,00).

b. O valor do ativo objeto é inferior ao preço de exercício

Suponha que o valor do ativo objeto no Mercado à vista na data de exercício seja de R$2.200,00. Nesse caso o valor do ativo objeto no Mercado à vista é inferior ao preço de exercício somado ao prêmio (R$ 2.300,00 + R$ 100,00 = R$ 2.400,00). Nesse caso a opção não será exercida porque o comprador poderá comprar o ativo no mercado à vista por um preço inferior ao preço de exercício. O titular abrirá mão do seu direito perdendo apenas R$ 100,00 (prêmio da opção).

c. O valor do ativo objeto é igual ao preço de exercício

Suponha agora que o valor à vista do ativo objeto seja de R$ 2.500,00. O preço à vista do ativo é igual ao de exercício. Nesta situação, será indiferente para o titular, exercer a opção ou não.

Classificação

As opções podem ser classificadas de diversas formas. Abaixo estão relacionadas algumas delas:
a) Classificação conforme a relação do preço de exercício com o preço à vista do ativo objeto. (Preço à Vista x Preço de Exercício)

A seguir uma tabela de classificação de acordo com a relação do preço de exercício com o preço à vista do ativo objeto:

Classificação
Call
Put
Dentro do dinheiro
Preço do Exercício menor que o Preço à Vista
Preço de Exercício maior que o Preço à Vista
No dinheiro
Preço de Exercício igual ao Preço à Vista
Preço de Exercício igual ao Preço à Vista
Fora do dinheiro
Preço de Exercício maior que o Preço à Vista
Preço de Exercício menor que o Preço à Vista


Portanto, na situação A do exemplo da seção anterior, classificamos a opção como “Fora do dinheiro”, na situação B como “Dentro do dinheiro” e na situação C como “No dinheiro”.

b) Classificação quanto ao Prazo de exercício

Opções Americanas: Opções que dão ao titular o direito de exercício até a data de vencimento.

Opções Européias: Opções que dão ao titular o direito de exercício apenas na data de vencimento.

Na BM&F as Opções variam de acordo com os ativos negociados:

Ativo negociado
Tipo de Opção
Ibovespa
Call: Americana e Européia
Ouro
Put: Americana e Européia
Call: Americana
Dólar
Call: Européia e Americana
Put: Européia e Americana
IDI
Call: Européia
Put: Européia
Agropecuários
Call e Put : Americana


c) Classificação quanto ao Objeto do Contrato

Opções sobre disponível: são opções cujo objeto do contrato é o próprio ativo objeto. Exemplos: opções sobre ações, opções sobre ouro.

Opções sobre futuro: são opções cujo objeto do contrato é um contrato futuro de um determinado ativo objeto. Exemplos: opções sobre Ibovespa, opções sobre Boi Gordo, opções sobre Café.

Um comprador de opção de venda (Put) de Ibovespa exercendo seu direito receberá contratos futuros de Ibovespa com a posição vendida e neste mesmo dia ficará sujeito aos mecanismos dos contratos futuros, sofrerá ajuste diário e deverá depositar margem. Caso leve sua operação à data de exercício compulsoriamente, a bolsa registrará uma posição vendida em futuros do Ibovespa na mesma quantidade que possuía com opções.

Variáveis que influenciam o Prêmio de uma opção

O prêmio de uma opção é determinado pelas expectativas dos participantes bem como pelo comportamento de um conjunto de variáveis. O grande desafio aos traders de opções é a mensuração e avaliação dessas varáveis. Nesta seção apresentaremos essas variáveis e a forma como elas influenciam o prêmio de uma opção:
Abaixo estão relacionadas as cinco principais variáveis que influenciam o prêmio de uma opção:

• Preço à Vista do Ativo Objeto (S):
O preço à vista do ativo objeto é o fato de influência mais direta no valor do prêmio de uma opção.
No caso das opções de compra, quanto maior é o preço, maior é o valor do prêmio, por que se o preço do objeto sobe o prêmio deve subir. Logo, quanto maior for o preço do ativo objeto, maiores são as possibilidades dessas opções entrarem no dinheiro (o preço de exercício ser inferior ao do ativo objeto na data do exercício).
Já no caso das opções de venda o efeito do preço à vista sobre o prêmio é exatamente o inverso da Call. Quanto maior o preço à vista, menor o prêmio por que as possibilidades de exercer essa opção com lucro se reduzem.
• Preço do Ativo Objeto na data de Exercício (E):
O preço de exercício da opção determina a relação da opção para o preço do ativo objeto. No caso das opções de compra, quanto maior for o preço de exercício, menor será o prêmio pois o preço final do ativo objeto será maior. Opções de compra com baixo preço de exercício são aquelas que possuem a maior possibilidade de serem exercidas.
Já nos caso das opções de venda, ocorre o inverso. Aquelas com alto preço são as que possuem maiores chances de serem exercidas.
• Taxa Juros de Mercado
• Preço de Exercício
• Volatilidade

Nesse texto adotaremos a seguinte terminologia de representação das variáveis:

Nome da Variável
Sigla
Preço da Opção de Compra
C
Preço da Opção de Venda
P
Preço à Vista do Ativo Objeto
S
Preço do Ativo Objeto na data de Exercício
S*
Taxa Juros de Mercado
i
Preço de Exercício
K
Volatilidade
σ


Valor do prêmio de uma Call
A equação abaixo determina o valor do prêmio de uma call na data do exercício:
C = S* + K

Na data da operação esses valores são trazidos a valor presente por uma taxa de juros:
C = (S + K) / (1+i)n

As variáveis influenciam o prêmio da Call da seguinte forma:

Sigla
Efeito no valor do prêmio da Call
S
Maior S, Maior C
S*
Maior S*, Maior C
i
Maior i, Menor C
K
Maior K, Maior C
σ
Maior σ, Maior C


Valor do prêmio de uma Put
A equação abaixo determina o valor de prêmio de uma put na data do exercício
P = K - S*K

Na data da operação esses valores são trazidos a valor presente por uma taxa de juros:
P = K/ (1+i)n- S

Sigla
Efeito no valor do prêmio da Put
S
Maior S, Menor P
S*
Maior S*, Menor P
i
Maior i, Menor P
K
Maior K, Maior P
σ
Maior σ, Maior P
Fonte: BM&F - Julho/2004

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Como um Investidor de Opções Utiliza a Volatilidade do Mercado

A maioria dos investidores de opções utiliza um modelo teórico de avaliação de preços que os torna capaz de antecipar o comportamento futuro dos preços das opções. Isso é feito através da simples mensuração do delta ou de todos os componentes de risco de uma opção.
Essas projeções formam uma estrutura para avaliar o risco e o retorno potencial do negócio. As projeções de preço dos modelos geralmente são confiáveis. Entretanto, os modelos de avaliação de preços não podem reproduzir exatamente o comportamento do mercado, muito menos prever o futuro com perfeição.
Os modelos para avaliação de opções devem assumir várias hipóteses específicas sobre o mercado. Se forem bem fundamentadas, estas hipóteses podem gerar boas representações do comportamento futuro dos preços. Hipóteses fracas, entretanto, podem produzir resultados equivocados que acarretem prejuízos.
Dessas hipóteses, talvez a mais difícil de se entender seja a de que a volatilidade do mercado é conhecida e constante.
Por definição, a volatilidade mede a magnitude das mudanças de preços durante um determinado período de tempo. Os modelos de avaliação de preços de opções implicam a distribuição uniforme dessas variações. Na prática, não é provável que a volatilidade seja constante, porque o mercado do ativo-objeto de uma opção pode experimentar baixa ou alta volatilidade. Essas mudanças podem ter um efeito dramático nos preços das opções.

Dois padrões

A volatilidade histórica e a implícita são dois meios populares de estimar o comportamento dos preços dos futuros. A volatilidade histórica representa a volatilidade real do mercado e é calculada através dos dados existentes dos futuros. A volatilidade implícita é a medida da volatilidade "esperada" pelos participantes do mercado e é derivada dos dados de negociação das opções.
Os investidores de opções constantemente buscam a relação entre essas duas volatilidades; isto é, um ponto crítico para a aplicação dos modelos de preço de opções.
Implícito a todo modelo de avaliação de opções há o conceito de "valor justo". Quando a volatilidade implícita de uma opção é igual à volatilidade do mercado, a opção é considerada como sendo negociada ao valor justo.
Para compreender o significado disso, deve-se entender um outro conceito: o hedge delta neutro. Quando uma posição em opções é contrabalançada com futuros, de forma que o risco devido a modificações nos preços do mercado do ativo-objeto seja eliminada, a posição é delta neutra.
Por exemplo, se 100 opções de compra at lhe money com um delta de 0,5 são vendidas (-100 opções de compra x 0,5 = 50) e 50 contratos futuros com delta igual um são comprados (50 contratos futuros x 1 = 50), a posição tem delta neutro. Pequenas modificações no preço do ativo-objeto não tem efeito algum na lucratividade (ver quadro). Os ganhos nas opções (perdas) são contrabalançadas por perdas (ganhos) nos futuros.
Hedges delta neutro são eficazes em períodos curtos. Conforme o tempo passa, outros fatores complicam a relação entre futuros e opções.
Um fator importante para o hedge delta neutro é a volatilidade. Mesmo que um hedge futuro tenha sido realizado, o investidor ainda estará exposto a mudanças na volatilidade. A relação entre volatilidade e opções é simples: um aumento na volatilidade faz com que se eleve o valor da opção. Logicamente, compradores de opções estarão dispostos a pagar mais por uma opção se o seu espaço de variação for maior, possibilitando lucros maiores.
Se no exemplo acima a volatilidade das opções aumentar e os futuros ficarem constantes, os lançadores de opções podem incorrer em perdas não compensadas por ganhos nos futuros. Contrariamente, se a volatilidade cair, os lançadores de opções lucrarão mais.
Um segundo fator no sucesso do hedge delta neutro é o valor tempo da opção, o qual vai reduzindo seu prêmio. Enquanto os preços do ativo-objeto da opção não se movimentam, os titulares da opção só podem assistir a queda do valor de suas posições. Caso os preços não se alterem, o prêmio das opções estará perdido. Isto, é claro, é vantagem para os lançadores de opções.
O ponto crítico entre a volatilidade e o valor tempo em posições delta neutro é definido pelo valor justo de uma opção. Se uma opção de preço justo é hedgeada com delta neutro, não há nenhum ganho ou perda qualquer que seja a direção do preço.
Em um mercado sem atrito, o hedge de futuros vai contrabalançar as mudanças de preço resultantes dos movimentos de mercado e do passar do tempo. Essa relação é mantida até a expiração das opções.

Cancelamento recíproco

Então, mesmo que as opções expirem sem valor, as opções com valor justo que eram delta neutro vão obter (ou perder) os lucros nos contratos futuros que vão contrabalançar as perdas (ou ganhos) resultantes dos prêmios das opções. Para mostrar como isso funciona, suponha-se uma posição delta neutra no mercado de petróleo em uma opção negociada a valor justo durante três semanas. Para essa posição, 100 opções de compra foram compradas a 227 pontos e 53 contratos futuros foram vendidos a $20 por barril pára atuar como hedge.
Tanto os futuros como as opções tiveram dramáticas mudanças nos preços (quadro 1). Esses movimentos foram acompanhados por mudanças no delta da opção. Isso altera o delta líquido da posição total.
Para permanecer delta neutro, houve a necessidade de hedgers adicionais a cada semana. Cada hedge foi executado em níveis favoráveis e resultou em ganhos nos futuros.
Ao final de seis semanas, os lucros totais nos contratos futuros contrabalançaram quase que completamente as perdas, devido ao valor tempo e custos de carregamento. Inversamente, se o investidor tivesse vendido opções e efetuado um hedge as perdas resultantes no mercado futuro teriam contrabalançado todos os ganhos nas opções.
Isso mostra que o modelo precisa de uma estimativa razoável da volatilidade para fazer projeções mais precisas dos preços das opções.
A maioria dos operadores da New York Mercantile Exchange (NYMEX) usa uma medida de fechamento móvel de 20 dias da volatilidade histórica para estimar a volatilidade futura. Essa é uma boa estimativa, visto que as mudanças diárias mais recentes são adicionadas e as mais antigas, descartadas.
Uma simples estratégia de negociação deveria envolver a venda de opções quando a volatilidade implícita excede a volatilidade histórica estimada e a compra quando a primeira for mais baixa. Entretanto, essa estratégia não irá funcionar sob todas as condições de mercado. Mais importante, ela não funciona igualmente para todos os participantes.
Operadores com o menor horizonte de tempo podem usar uma estimativa histórica de 20 dias com confiança, porque eles possuem o menor grau de exposição à volatilidade.
Os market-makers usam o conceito de valor justo de acordo com o fundamento de suas estratégias de negociação. As posições são mantidas delta neutras para refazer o hedge continuamente. A exposição líquida dos market-makers, então, é a volatilidade. O sucesso desta estratégia depende largamente da qualidade das estimativas de volatilidade e quão rapidamente o risco da mesma pode ser anulado.
Uma observação mais acurada mostra que a volatilidade de uma posição de um market-maker pode flutuar várias vezes entre vendida e comprada líquida em uma única sessão. Devido a estas rápidas modificações, os market-makers devem evitar estimativas pobres de volatilidade. Sua exposição à volatilidade é minimizada através da compra e venda de quantidades de opções de exercícios similares ( opções com o exercício mais próximo se comportam de forma bastante parecida).
Administrar o risco de volatilidade desta forma e manter as posições delta neutra para eliminar o risco direcional permite aos market-makers captar efetivamente o diferencial de preços entre oferta de compra e oferta de venda para opções.
Em contraste, os operadores com horizontes de tempo mais longos devem fazer estimativas melhores de volatilidade. As posições em opções que duram semanas ou meses podem expô-los a alterações maiores na volatilidade. Uma estimativa precária da volatilidade poderia levar um operador a alterar uma posição que, na verdade, estava correta, acarretando, assim, prejuízo.
Como um operador pode estimar volatilidade de uma forma mais rigorosa? Analisar a volatilidade histórica em vários períodos pode ajudar, pois, dá um critério melhor sobre as tendências da volatilidade, da mesma forma que as médias móveis múltiplas podem antecipar mudanças de direção mais efetivamente do que a média móvel simples.
Comparando, por exemplo, a volatilidade medida com base em 5, 10, 20, 30, 45 e 60 dias pode-se identificar tendências de volatilidade e esclarecer mudanças nessas tendências. Em um mercado estável a volatilidade será a mesma para todos os períodos de tempo (veja gráfico de barras 1). Mas, à medida que mudanças fundamentais alteram o mercado, surgem diferenças na volatilidade entre os períodos.
Indicadores de curto prazo respondem mais rapidamente às mudanças de preços do que os indicadores de longo prazo. Quando o mercado experimenta aumento na volatilidade, os indicadores de curto prazo permitem identificar o intervalo-alvo para a volatilidade implícita (veja gráfico de barras 2). Os indicadores de curto prazo podem servir também como um indicador prévio de quedas potenciais da volatilidade (veja gráfico de barras 3). À medida que um mercado se consolida, a volatilidade de curto prazo pode se reduzir acentuadamente. A volatilidade das opções geralmente cai também.
E também importante saber como a volatilidade implícita responde a mudanças nas variáveis fundamentais. Em geral, a volatilidade implícita aumenta lentamente em antecipação a mudanças em variáveis fundamentais como, por exemplo, as reuniões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo-Opep, que podem provocar movimentos rápidos nos preços à medida que os fatos relevantes vêm a público.
Mas, quando eventos inesperados aumentam a volatilidade do mercado, as mudanças na volatilidade implícita são mais moderadas. Isso freqüentemente ocorre porque o mercado enxerga essas mudanças como eventos antigos e deseja confirmar que a alta da volatilidade vai persistir.
Através da observação das tendências da volatilidade, identificação de mudanças nas variáveis fundamentais do mercado, os operadores podem capitalizar sobre mudanças na relação entre volatilidade histórica e implícita.
A volatilidade pode ser tão difícil de operar como o próprio mercado. Entretanto, uma vez que se aprende a usar todas as informações disponíveis, novas oportunidades podem aparecer. Escolher apropriadamente comprar ou vender volatilidade aumentará a performance, porque o risco pode ser diversificado inteligentemente entre a direção do mercado e a volatilidade.

Weyne Penello – Resenha BM&F